A CRIANÇA, A ESCOLA E O TRABALHO: BREVES REFLEXÕES SOBRE O IMPACTO DO TRABALHO INFANTIL NA DINÂMICA EDUCACIONAL DAS CRIANÇAS TRABALHADORAS BRASILEIRAS

Maria Anastácia Manzano, Daniel Costa Oliveira, Sara Matos Brasil, Alexandro Gonçalves de Jesus, Ângela Cristina Salgado de Santana

Resumo


O trabalho precoce sempre existiu no Brasil, considerado um importante fator interferente no desenvolvimento de crianças e jovens. O objetivo do presente trabalho foi apresentar o trabalho precoce nas suas dimensões históricas e sociais, sua influência na educação e destacar alguns valores atribuídos ao trabalho. Trata-se de um estudo teórico, de natureza qualitativa, com a articulação de ideias de estudiosos do assunto. Analisando a história do trabalho precoce no Brasil evidencia-se seu início no período colonial; essa prática estava associada à pobreza e a intenção do Estado foi promover a aprendizagem laboral para crianças e jovens, dignificando-os com alguma atividade que poderia lhes ser útil. Na história recente do país temos sérias iniciativas para a erradicação do trabalho infantil, que vão desde garantias constitucionais a programas internacionais envolvendo distribuição de renda e educação para todos. Em seguida apresentamos diversos estudos que destacam causas e consequências do trabalho precoce. Há revelações que fogem do que é propagado pelo senso comum de que o trabalho precoce estaria relacionado exclusivamente à pobreza e que os pequenos trabalhadores estariam substituindo os pais ou responsáveis pela subsistência da família. Estudos dissecando os dados das Pesquisas Nacionais de Amostras de Domicilio permitiram oferecer respostas distintas, como por exemplo, que o maior número de crianças que trabalham estão em famílias cujos pais trabalham, não sendo, portanto a pobreza uma justificativa exclusiva. O próximo tópico foi relacionar o trabalho precoce e a escola. Novamente muitas posições foram alteradas. Demostrou que o número de crianças e jovens que trabalham vem diminuindo consideravelmente nas últimas décadas e que as influencias na educação podem ser medidos pela ausência às aulas, o baixo rendimento escolar, a evasão escolar e a defasagem idade/série. Os dados mostram que quanto mais cedo se começa a trabalhar, menos tempo se fica (ou ficaria) na escola. Há também revelações de que nas séries finais do Ensino Fundamental a frequência escolar depende mais da oferta de escolas do que a necessidade de se trabalhar. Esta seria uma alternativa justificada pelos pais para afastar os filhos da vadiagem, drogas, criminalidade. Encerramos o trabalho discutindo os valores atribuídos ao trabalho tanto pelos pais e sociedade, quanto pelos próprios trabalhadores precoces. Dentre eles destacamos: o trabalho enobrece, o trabalho dignifica o homem, com o trabalho o jovem pode se firmar dentro de uma estrutura social. Concluímos que o tema é complexo e que qualquer ação ou discussão sobre ele devem ser levadas em consideração as implicações sociais, econômicas e pessoais do trabalho precoce.


Palavras-chave


Trabalho precoce, rendimento escolar, representações sobre o trabalho.

Texto completo:

PDF


DOI: https://doi.org/10.25110/educere.v12i1.2012.4536