O tempo nunesiano em conto de escola de Machado de Assis

Maria Regina Fedri Pereira, Luzinete Cunha Menegueti, Nílvio Ourives do Santos

Resumo


Benedito Nunes, teórico renomado, conceitua quatro tipos de tempo distintos: tempo físico, tempo histórico,
tempo psicológico e tempo lingüístico; tempo físico baseia-se nos fatos criados a partir do imaginário do autor, ou seja,
os fatos inventados que compõem a história; tempo histórico, por sua vez, corresponde aos fatos pertencentes ao mundo
real, que podem ser comprovados através de documentos de sua existencialidade; tempo psicológico centra-se no campo
psíquico da personagem, tenta fundir o presente com o passado num momento impreciso, tempo que originará os romances
de fluxo; tempo lingüístico, no entanto, refere-se aos dêiticos – hoje, amanhã, agora, entre outros e estabelece o presente da
enunciação que distingue o ato de narrar da voz narrativa. Dentro dessa perspectiva, Nunes diz que o tempo cronológico está
interligando o tempo físico ao tempo histórico, como elemento de distinção do real e do imaginário, conquanto possibilitaria a
classificação da literariedade. Ora os fatos narrados mostram-se fundamentados no mundo real, ora no mundo imaginário, de
modo que a estruturação da fábula literária delimita – ordem, duração e direção. Ainda, a partir do modernismo, iniciou-se a
preocupação crítica quanto à classificação da literariedade das obras ficcionais, devido à transposição do real e do imaginário,
possibilidade esta advinda da visão aristotélica do verossímil; assim sendo, buscamos com essa comunicação, demonstrar a
estrutura nunesiano na narrativa de pequena extensão Conto de Escola de Machado de Assis, autor pertencente ao Realismo,
mas com a visão dos escritores modernos, mesclando os fatos verídicos com os imaginários, característica principal para a
nomenclatura da fábula proposta pelo teórico em questão.

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DOI: https://doi.org/10.25110/akrópolis.v12i3.411