SAÚDE MENTAL, EDUCAÇÃO E TRABALHO: CARTOGRAFIA DAS EXPERIÊNCIAS DOCENTES
DOI:
https://doi.org/10.25110/educere.v26i1.2026-12483Palavras-chave:
Bem-estar docente, Cuidado, Docência, Sofrimento psíquicoResumo
A saúde mental docente tem se constituído como tema central nas discussões sobre o cotidiano escolar, especialmente na Educação Infantil, em razão das múltiplas exigências emocionais, institucionais e relacionais que atravessam o trabalho pedagógico. Este estudo buscou compreender os processos de sofrimento psíquico, bem-estar e subjetivação presentes na experiência de professoras da Educação Infantil, considerando os afetos, vínculos e dinâmicas institucionais que constituem o cotidiano escolar. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, articulando revisão bibliográfica, observação de campo, entrevistas semiestruturadas e perspectiva cartográfica. A análise dos dados foi realizada por meio da Análise Textual Discursiva (ATD), possibilitando acompanhar movimentos subjetivos relacionados ao reconhecimento profissional, autonomia, relações afetivas, acolhimento institucional e condições de trabalho. Os resultados evidenciam que a saúde mental docente é produzida em redes complexas de relações, sendo atravessada por experiências de desgaste, pertencimento, resistência e cuidado. Conclui-se que políticas voltadas à promoção da saúde mental na escola precisam considerar dimensões micropolíticas, afetivas e coletivas do trabalho docente, fortalecendo espaços de escuta, acolhimento e produção compartilhada de cuidado no ambiente educacional.
Downloads
Referências
BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica. Resolução CNE/CEB nº 5, de 17 de dezembro de 2009. Fixa as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 18 dez. 2009. Seção 1, p. 18.
BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 9394, de 20 de dezembro de 1996. Dispõe sobre as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, DF: MEC, 1996.
BRASIL. Constituição. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, 1988.
CAMPOS, Roberta; KASTRUP, Virginia. Cartografar é acompanhar processos. In Passos, Eduardo., Kastrup, Virgínia; Escóssia, Liliana. (Orgs.), Pistas do método da cartografia: pesquisa-intervenção e produção de subjetividade (3. ed.). Porto Alegre: Sulina, 2017.
CONRAD, Peter. The medicalization of society: on the transformation of human conditions into treatable disorders. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 2007.
CRESWELL, John W.; CRESWELL, J. David. Projeto de pesquisa: métodos qualitativo, quantitativo e misto. 2. ed. Porto Alegre: Penso, 2021.
DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019.
DELEUZE, Giles. GUATTARI, Félix. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia. v. 1. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1995.
DESSEN, Marina Campos; PAZ, Maria das Graças Torres da. Bem-Estar Pessoal nas Organizações: O Impacto de configurações de poder e características de personalidade. In: Psicologia: Teoria e Pesquisa, Jul-Set, Vol. 26 n. 3, pp. 549-556, 2010.
ESTEVE, José Manuel. O mal-estar docente: a sala de aula e a saúde dos professores. Tradução de Durley de Carvalho Cavicchia. Bauru: EDUSC, 1999.
FRANCO, Túlio Batista. As redes na micropolítica do processo de trabalho em saúde. In: MERHY, Emerson Elias; BATISTA, Túlio Franco (org.). Trabalho, produção do cuidado e subjetividade em saúde: textos reunidos. São Paulo: Hucitec, 2013. p. 226-242.
FORATTINI, Cristina Damm.; LUCENA, Carlos Alberto. Adoecimento e sofrimento docente na perspectiva da precarização do trabalho. Laplage em Revista, Sorocaba, n. 2, v. 1, p. 32- 47, maio/ago, 2015.
FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Organização e tradução de Roberto Machado. 20 ed. Rio de Janeiro: Graal, 2004.
GROCHOSKA, Marcia Andreia; GOUVEIA, Andréa Barbosa. Professores e qualidade de vida: reflexões sobre valorização do magistério na educação básica. Educ. Pesqui., São Paulo, v. 46, e 219060, 2020.
HUBERMAN, Michael. O ciclo de vida profissional dos professores. In A. Nóvoa (Org.), Vidas de professores, p. 31-61. Porto: Porto, 2000.
KASTRUP, Virgínia. Escrita cartográfica e a dimensão coletiva da experiência. Fractal: Revista de Psicologia, Niterói, v. 35, e6393, 2023. Doi.org/10.12957/riae.2023.80661.
ILLICH, Ivan. A expropriação da saúde: nêmesis da medicina. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1975.
MAMAN, Daniela De. Travessias da temporalidade e cartografias da saúde mental: bidirecionalidade do cuidado na docência. Educação, [S. l.], v. 51, n. 1, p. e73/01–22, 2026. https://doi.org/10.5902/1984644495596.
MAMAN, Daniela De. Cuidando de quem educa: condições de saúde mental do professor. Interfaces: Saúde, Humanas e Tecnologia, Juazeiro do Norte, v. 13, n. 1, p. 5142–5158, 2025. https://doi.org/10.16891/2317-434X.v13.e5.a2025.id2333.
MATIAS, Átila. Organização Internacional do Trabalho (OIT). Brasil Escola. Disponível em:https://brasilescola.uol.com.br/brasil/organizacao-internacional-do-trabalho-it.htm.Acesso em 25 de maio, 2024.
MINAYO, Maria Cecília de Souza. O Desafio do Conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 15ª edição. São Paulo: Hucitec, 2025.
MORAES, Roque; GALIAZZI, Maria do Carmo. Análise Textual Discursiva. 3. ed. Ijuí: Editora Unijuí, 2016.
OLIVEIRA, I. L. et al. Repetir, repetir - até ficar diferente: cartografia de um cuidado. Fractal, Rev. Psicol. 34, 2022. https://doi.org/10.22409/1984-0292/2022/v34/29080
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Preventing Child Maltreatment: A guide to acting and generating evidence. Geneva: World Health Organization and International Society for the Prevention of Child Abuse and Neglect. 2016.
PARANÁ. Conselho Estadual de Educação. Deliberação nº 02/2014, de 4 de junho de 2014. Institui as Normas e Princípios para a Educação Infantil no Sistema Estadual de Ensino do Paraná. Curitiba: Conselho Estadual de Educação do Paraná, 2014.
PEREIRA, J. A. Trabalho docente e sofrimento mental. Dissertação de Mestrado, Universidade Estadual Paulista, Franca, 2015.
RAUSCH, R. B.; DUBIELLA, E. Fatores que promoveram mal ou bem-estar ao longo da profissão docente na opinião de professores em fase final de carreira. Rev. Diálogo Educ., Curitiba, v. 13, n. 40, p. 1041-1061, set./dez. 2013.
ROLNIK, S. Esferas da insurreição: notas para uma vida não cafetinada. São Paulo: n-1 edições, 2018.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Daniela De Maman, Lucas De Maman

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.





