MIELOENCEFALITE PROTOZOÁRIA EQUINA EM POTRA COM 03 ANOS DE IDADE DA RAÇA MANGALARGA MACHADOR: RELATO DE CASO
DOI:
https://doi.org/10.25110/arqvet.v29i1.2026-12670Palavras-chave:
Diclazuril, Didelphis spp, Equideocultura, Sarcocystis neuronaResumo
A Mieloencefalite Protozoária Equina (EPM) é uma enfermidade neurológica de elevada relevância clínico-sanitária, causada predominantemente pelo protozoário Sarcocystis neurona e, com menor frequência, por Neospora hughesi. É reconhecida como uma das principais causas de disfunção neurológica em equinos nas Américas. O ciclo epidemiológico envolve os gambás (Didelphis spp.) como hospedeiros definitivos, responsáveis pela eliminação de esporocistos no ambiente, contaminando água e alimentos ingeridos pelos equinos, que atuam como hospedeiros intermediários aberrantes. As manifestações clínicas são variáveis e dependem da localização das lesões no sistema nervoso central, destacando-se ataxia assimétrica, fraqueza, incoordenação motora, paresia de nervos cranianos, flacidez facial e disfagia, com evolução gradual ou, em alguns casos, de instalação aguda. O diagnóstico é desafiador e baseia-se na associação entre exame neurológico detalhado, exclusão de diagnósticos diferenciais e detecção de anticorpos específicos no soro e no líquido cefalorraquidiano, por meio de testes como ELISA e imunofluorescência indireta. O tratamento fundamenta-se no uso de fármacos antiprotozoários, como diclazuril, ponazuril ou a associação sulfadiazina-pirimetamina, frequentemente associados a anti-inflamatórios, dimetilsulfóxido e suplementação antioxidante. O presente estudo teve como objetivo relatar um caso de EPM em uma potra da raça Mangalarga Marchador, diagnosticada com base em sinais neurológicos compatíveis e na confirmação sorológica para S. neurona. A instituição precoce de terapia com diclazuril, antioxidantes e dimetilsulfóxido resultou em recuperação clínica completa, sem déficits neurológicos residuais. O caso reforça a importância do diagnóstico precoce, do manejo terapêutico adequado e da adoção de medidas preventivas, incluindo o controle de gambás e a proteção de alimentos e de fontes hídricas, de forma adequada e contínua.
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