SOMBRAS DE REIS BARBUDOS, DE J. J. VEIGA: UM ROMANCE MARAVILHOSO E ALEGÓRICO

Donizeth Santos, Suélen Pauline Haag

Resumo


O artigo analisa, sob o viés do Fantástico Maravilhoso (TODOROV, 1975) e da alegoria (KOTHE, 1986), o romance Sombras de Reis Barbudos de J. J. Veiga (1972), que conta a história de Taitara, cidade onde acontecem fatos estranhos e inexplicáveis após a instalação da Companhia de Melhoramentos. Dentre as situações inusitadas que acontecem está o surgimento de muros, que aparecem do dia para noite, sem que ninguém saiba quem os construiu e nem como foram construídos, já que surgem como se fossem num passe de mágica, dificultando a circulação das pessoas, que passam a necessitar até de mapas para poder contorná-los; a invasão dos urubus e a posterior domesticação deles, chegando ao absurdo de cada casa ter pelo menos um dos bichos como animal de estimação; e o episódio dos homens que voam para fugir da cidade. Ao mesmo tempo em que essas coisas acontecem, a Companhia passa a impor regras absurdas aos habitantes, como a proibição de olhar para cima para ver os urubus, e seus fiscais invadem as casas, interrogando e prendendo moradores. Ao final da análise, procuramos demonstrar que o romance, construído com elementos da literatura fantástica maravilhosa, é uma alegoria da Ditadura Militar brasileira (1964-1985).

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