OS TEMÍVEIS HOMENS DE PAPEL: HISTÓRIAS EM QUADRINHOS E MASCULINIDADES NO BRASIL (1900-1960)

Fausto Alencar Irschlinger, Jefferson Wruck

Resumo


O artigo discute os conflitos entre os ideais de masculinidade da sociedade brasileira no período entre 1930 e 1960, bem como os padrões apresentados pelos heróis de histórias em quadrinhos norte-americanas inseridas no país, naquele período. Utilizamos como fontes revistas publicadas pelas editoras Ebal e Globo nas décadas de 1940 e 1950, periódicos que publicaram quadrinhos ou reportagens sobre eles, tais como os jornais Última Hora, Tribuna da Massa e O Globo, bem como o aporte bibliográfico visando possíveis relações e análises. Com base no contexto histórico envolvido, constata-se que, com a maior influência estadunidense na cultura brasileira, provocou-se mudanças significativas na sociedade, grande parte em decorrência da disseminação de produtos culturais, como o cinema, a música e as Histórias em Quadrinhos (HQs). Em geral, os heróis das HQs representavam as fantasias de poder do homem comum, reprimido pela rotina prosaica do capitalismo industrial, assim, são desenhados como homens de ação, de grande força física, objetos de desejo sexual, destemidos e convictos da superioridade moral do liberalismo norte-americano face aos demais sistemas políticos e culturais em curso. Observa-se que o individualismo, a violência, o pragmatismo e a sensualidade dos heróis das HQs contrastavam com o caráter coletivista, intelectualista e austero idealizado pela sociedade brasileira de início do século XX. Sendo assim, a oposição às HQs no Brasil baseou-se em dois argumentos: o efeito desnacionalizante, que estaria “americanizando” os rapazes, e o conteúdo “violento e vulgar”, responsável por incentivar os jovens à “delinquência”.

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DOI: https://doi.org/10.25110/akropolis.v29i2.8503

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