AUTOCUIDADO NA EDUCAÇÃO MÉDICA: COMPETÊNCIA ESSENCIAL PARA A FORMAÇÃO PROFISSIONAL
DOI:
https://doi.org/10.25110/arqsaude.v30i3.2026-12391Palavras-chave:
Autocuidado, Educação Médica, Estudantes de Medicina, Promoção da Saúde, Qualidade de VidaResumo
O autocuidado assume papel central na formação médica contribuindo para a preservação da saúde física e mental dos estudantes e reduzindo riscos de adoecimento relacionados ao estresse, à ansiedade e ao burnout. Este estudo, conduzido como revisão integrativa, buscou evidências sobre o autocuidado no curso médico, visando elevar a qualidade de vida e a satisfação acadêmica entre estudantes. A busca foi realizada nas bases de dados PubMed, SciELO, LILACS e BVS, resultando em 148 registros, dos quais 11 estudos foram incluídos na síntese final. Os trabalhos selecionados abordaram modelos teóricos de bem-estar, intervenções de mindfulness, programas institucionais e contextualizações socioculturais, evidenciando efeitos consistentes, como redução de 25–30% nos níveis de estresse, burnout e ansiedade, além de ganhos em satisfação acadêmica e percepção de apoio institucional. Persistem, contudo, lacunas estruturais apontando que apenas 18% dos estudantes brasileiros relatam sentir-se preparados para gerenciar o próprio estresse. Observa-se que a maioria das intervenções indica apenas indicadores imediatos, sem contemplar competências centrais de autocuidado, como autocompaixão, gestão do tempo e definição de limites éticos. Entre as barreiras recorrentes estão currículos sobrecarregados, cultura de sacrifício, recursos limitados e estigma em saúde mental, o que evidencia a necessidade de políticas institucionais explícitas, capacitação docente e integração transversal do tema ao currículo. Considera-se que o autocuidado deve constituir um eixo transversal da formação médica, sustentado por governança acadêmica, tecnologias educacionais e métricas robustas, a fim de formar profissionais resilientes e empáticos.
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