A MÁ-FÉ NA PRÁTICA DOCENTE

Taís Pozzan Lehn, Francine Cristina Marchetto, Jorge Antônio Vieira

Resumo


O processo ensino aprendizagem é uma integração dialética e se estabelece na e pela relação de um eu (professor) com um outro (aluno). Caracteriza-se por ser um relacionamento interpessoal respaldado por condutas éticas e morais, sendo um erro classificar a moralização como algo à parte. Entretanto, muitos professores o classificam como tal, vendo como pertencente a seu projeto somente os aspectos relativos à transmissão do conhecimento científico. Desta forma, o professor não vê a si mesmo como um agente diretamente ligado ao processo de moralização podendo, por vezes atribuir esta função a outros. Essa é uma manifestação da má-fé, pois fugir da escolha, é entrar na má-fé, é se acomodar à um suposto destino, ou sentir-se vítima de alguma situação. Uma das manifestações da má-fé na prática docente é quando o professor não se responsabiliza pelas escolhas de seu projeto de ser professor dizendo que não compete a si determinada função, mas sim ao outro, podendo ser a família, o setor pedagógico, a sociedade. Além de atribuir ao outro a responsabilidade de concretizar algo que deveria ser realizado pelo professor, também acaba o vendo como um obstáculo na concretização deste projeto de ser, coisa que o outro não o é. Contudo, ao assumir seu projeto de ser professor, o sujeito passa a agir autenticamente, efetivando sua liberdade em sua ação por meio da conversão radical e do reconhecimento da alteridade. O projeto de ser professor tem como possibilidades a transmissão de conhecimento e a mediação entre o outro e o mundo a fim de que o sujeito possa ampliar sua consciência diante do existir, exercendo sua liberdade para realizar suas escolhas de uma maneira autêntica.

Texto completo:

PDF


DOI: https://doi.org/10.25110/akrópolis.v20i2.4646